Brasil vive ‘Guerra Híbrida’ por suas riquezas naturais

América Latina se tornou palco para uma possível ‘Primavera Latino-americana’

Em seu livro “Guerras Híbridas”, Andrew Korybko analisa as novas táticas político-militares que têm sido usadas, especialmente pelos Estados Unidos e países alinhados a eles. Neste novo modelo de guerra, o uso de redes sociais, guerras fiscais e especulação de grupos financeiros podem causar danos muito maiores que bombas e mísseis.

O que está acontecendo no Brasil e na América Latina, para Korybko, é o mesmo que foi feito na Ucrânia e nos países Árabes. Existia um interesse econômico e militar nessas regiões e, para isso, as redes sociais foram utilizadas para alimentar, localmente, ideologias contrárias aos governos adversários, causando uma explosão de protestos violentos que obrigaria os governos desses países a se submeter aos desejos políticos e econômicos dos grupos ligados aos Estados Unidos.

O próprio serviço oficial de radiodifusão norte americano Voice Of America, que opera nas regiões do Cáucaso, Leste Europeu, Ásia Central e Oriente Médio , reconhece que ao menos dois agentes norte-americanos tiveram papel fundamental para o sucesso das mobilizações: o então embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia o ex-chefe do Serviço Nacional Clandestino da CIA. Ambos estariam envolvidos, tanto na Primavera Árabe quanto na derrubada de Viktor Yanukóvytch, o então presidente da Ucrânia. Yanukóvytch era alinhado à política russa e, consequentemente, um empecilho aos interesses dos grupos americanos e europeus que pretendiam se apoderar da região.

A Líbia, além dos recursos minerais e da posição geográfica importante, vinha tentando estabelecer uma nova moeda baseada em ouro a ser usada na África e no Oriente médio, o que ameaçava a hegemonia do dólar e instituições financeiras e, portanto, a hegemonia dos países alinhados aos Estados Unidos. A derrubada do líder líbio Muammar Kadafi se tornou, então, necessária. Os motivos político-econômicos da perseguição ao ditador foram amplamente divulgados pela mídia asiática, russa e africana, mas no mundo ocidental, os motivos foram reduzidos a uma repentina ‘vingança’ do povo líbio insatisfeito, com os apoios financeiro e militar da Otan, grupos mercenários e terroristas, incluindo o Estado Islâmico.

(Foto de John Moore)

Há indícios de que a bola da vez é a América Latina. Campanhas anônimas de desinformação, com notícias falsas e meias verdades, vêm sendo veiculadas pelas redes sociais como Facebook e Whatsapp desde meados do governo Lula e seguem influenciando mentes até o atual governo Bolsonaro. O respeitável leitor, com certeza, já foi vítima de algumas dessas influências. O objetivo é dividir o povo, gerar insatisfação popular e revoltas, retirando a capacidade dos dirigentes de dialogar com a população e governar o país.

Nesse cenário, a CPI das Fake News, caso seja levada a sério, pode lançar uma luz sobre a origem e os interesses possivelmente estrangeiros por trás do acirramento político que vive toda a região. Lembrando que a estratégia de desestabilização pode ser aplicada tanto para pressionar governos de direita quanto de esquerda, desde Sebastián Piñera no Chile até Evo Morales na Bolívia, como estamos vendo, passando por quase todos os países sul-americanos como Peru, Colômbia e Venezuela.

O papel do governo Bolsonaro é curioso. Ao mesmo tempo que suas campanhas eleitorais utilizaram amplamente o uso de redes sociais para divulgação de notícias falsas e omissões, confeccionadas cirurgicamente para gerar ódio e polêmica (exemplos não faltam: falsas mansões atribuídas a petistas e frases revoltantes de Maria do Rosário que, na verdade, nunca foram ditas, etc), agora experimenta um pouco do mesmo veneno, mas servido por, inclusive, parte da grande mídia. O atual governo poupa o trabalho dos adversários de fabricar notícias falsas, bastando apenas noticiar constantemente as trapalhadas e declarações polêmicas de sua equipe, tais quais as suspeitas de corrupção que recaem no próprio clã Bolsonaro.

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