Feira de armas no Rio tem pistola furtada e investidores internacionais

O sumiço da pistola

Uma pistola doi furtada de um dos estandes da LAAD Defense & Security. O crime ocorreu às 9:00 antes da abertura do evento ao público. O modelo da pistola seria uma APX Compact, calibre 9mm e valia em torno de 575 dólares. Até agora, os responsáveis pelo crime não foram identificados.

A feira de armamentos

Fabricantes de armas de todo o mundo se reuniram no Rio de Janeiro para a maior feira de defesa e segurança da América Latina na última terça-feira, esperando se beneficiar da nova administração de extrema direita representada por Jair Bolsonaro.

A empresa suíça Ruag Amootec vem tentando entrar no mercado brasileiro há vários anos. Os planos para abrir uma nova fábrica de munição no país foram cancelados em 2018, devido ao intenso lobby no Brasil e uma preocupação na Suíça de que a venda de munições em um país já hiper-violento poderia prejudicar a imagem da empresa, disseram duas fontes à Associated Press.

O Brasil, cujo mercado de armas permanece praticamente fechado para empresas estrangeiras, esperava cerca de 450 empresas e quase 200 delegações de 80 países durante a exposição de quatro dias, informaram os organizadores.

“Esta indústria é muito relevante para nosso crescimento econômico”, disse o ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Silva, em seu discurso de abertura.

Segundo o Instituto Igarapé, o Brasil é o terceiro maior fabricante de armas do mundo, depois dos Estados Unidos e da China.

Brasil é campeão mundial de assassinatos

O atual governo enviou sinais positivos para empresas nacionais e estrangeiras. Em janeiro, pouco depois de tomar posse, Bolsonaro assinou um decreto, facilitando a compra de armas de fogo por muitos brasileiros. Seu partido também planeja apresentar uma nova legislação que afrouxaria as restrições ao porte de armas de fogo e o número e o tipo de armas civis que podem possuir.

Bolsonaro fez da segurança pública uma peça central de sua campanha, defendendo que policiais que matam criminosos devem ser condecorados, não processados, e prometendo reformar as leis de armas no país campeão mundial de assassinatos.

Enquanto isso, o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, adotou uma postura semelhante. Em uma entrevista no domingo, Witzel disse que já havia cumprido uma de suas principais promessas de campanha: usar atiradores de elite para atacar criminosos vistos carregando armas de fogo.

Atividade lucrativa

Para as empresas de armas e munições, esse foco intenso na segurança pública representa oportunidade lucrativa. A estatal brasileira Belico do Brasil (IMBEL), vinculada ao Ministério da Defesa, diz que a demanda subiu 20% após o decreto.

“Estamos vendo várias empresas estrangeiras, novas marcas, chegando ao Brasil”, disse Marcel Muniz Costa, diretor de comunicação da empresa, à Associated Press.

Recentemente, a suíça Ruag decidiu tornar o Brasil sua nova sede na América Latina. “Estamos muito esperançosos com este novo governo”, disse o vice-presidente sênior da Ruag Ammotec, Martin Neujahr.

A empresa acredita que o mercado de pequenos calibres e munições no Brasil deve valer US $ 50 milhões “ou mais do que todos os outros países da América Latina juntos”, disse Neujahr.

Um representante de uma empresa estrangeira, que pediu para que permaneça anônimo para não comprometer as negociações em andamento com o Brasil, disse que seus preços são de quatro a cinco vezes menores do que seus concorrentes brasileiros.

“Estamos vendo muito interesse da polícia e do exército”, informou a Associated Press.

Mas para que isso aconteça, observadores e participantes do mercado dizem que o Brasil precisa ir além e acabar com os monopólios dos quais as empresas nacionais se beneficiaram.

“Políticos nacionais, lobistas e fabricantes de armas também se beneficiaram generosamente de subsídios e benefícios fiscais. Como resultado, a Taurus, maior fabricante de armas do país, tem praticamente o monopólio da produção de revólveres e rifles”, disse Robert Muggah, diretor de pesquisa do Igarapé.

O vínculo histórico entre empresas nacionais como a Taurus e o Exército, que deve aprovar a chegada de qualquer concorrente externo no Brasil, não ajudou a causa das empresas estrangeiras. E enquanto o presidente Bolsonaro é claro em querer ampliar o acesso a armas no país, ele envia uma mensagem dupla sobre a concorrência estrangeira, diz o instituto brasileiro Sou da Paz.

“Ele tem ligações tradicionais com o exército, uma instituição muito nacionalista, que protege essa idéia de que a indústria de defesa é estratégica”, disse Felipe Angeli, coordenador de defesa do Sou da Paz.

Autoridades de alto escalão, incluindo o vice-presidente do Brasil, ministros da Defesa e da Justiça, participaram do evento de terça-feira.

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